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FIA revela evidências do caso de espionagem

Posted by Ricardo Lampert em 15 setembro 2007

Durante o desenrolar do segundo treino livre do GP da Bélgica, a FIA divulgou as evidências que a levaram a punir a McLaren com uma multa de US$ 100 milhões mais a perda de todos os pontos do Mundial de Construtores — e que poderiam, perfeitamente, ocasionar sua exclusão não fosse considerada ré primária. Em um documento de 14 páginas, estão expostos trechos de mensagens de Nigel Stepney e Mike Coughlan — que chegaram a 288 SMS, muito para quem não é amigo, como contou Coughlan em seu “depoimento de arrependimento” — e até os e-mails entre Pedro de la Rosa e Fernando Alonso. Seguindo a ordem da papelada que a federação mostrou, De la Rosa mandou uma mensagem eletrônica para Coughlan em 21 de março. “Oi, Mike, você sabe a distribuição de peso do Carro Vermelho? Seria importante para nós saber, assim a gente podia testar no simulador. Já agradecendo, Pedro. PS: Estarei no simulador amanhã”. Coughlan respondeu ao espanhol com certa riqueza de detalhes. Entretanto, não chegou a ser feito nenhum experimento com a solução que a Ferrari usa. Não contente, De la Rosa, quatro dias depois, foi ao computador novamente para mandar outro e-mail, desta vez para Alonso, sobre o mesmo assunto. “A distribuição de peso deles me surpreende. Não sei se é 100 por cento confiável, mas pelo menos chama atenção”, comentou Fernando. Pedro voltou a falar ao compatriota, mencionando o delator da Ferrari. “Toda a informação da Ferrari é muito confiável. Vem de Nigel Stepney, o ex-mecânico chefe deles — sei lá que posição ele ocupa agora. É a mesma pessoa que nos falou na Austrália que o Kimi ia parar na volta 18. Ele é muito amigo de Mike Coughlan, nosso projetista-chefe, e ele contou isso para ele.” Além disso, há conversas entre os pilotos que remetem a asas flexíveis, equilíbrio aerodinâmico e sistema de freios e estratégia de paradas da Ferrari. E também sobre um fator ao qual De la Rosa deu atenção especial, em e-mail enviado à 1h43 de 25 de março. O test-driver disse se tratar de um material que infla os pneus da Ferrari sem os causar bolhas por ajudar a reduzir a temperatura interna. “Temos de experimentá-lo, é fácil!”, incentivou. Só por volta do meio-dia é que Alonso respondeu, com um “seria muito importante testar” porque “eles têm algo diferente do resto (…), não só neste ano”. “Há algo mais, e isso deve ser a chave; espero que possamos testá-lo durante este teste e que seja prioridade!”. Os contatos entre Stepney e Coughlan não se resumiram aos recados via celular. Foram 35 ligações entre 11 de março e 3 de julho.
Diante dos fatos, o Conselho Mundial analisou que:

  • Coughlan tinha mais informação do que indicava ter e estava recebendo informação de uma forma sistemática durante um período de meses;
  • a informação foi disseminada, pelo menos em algum grau (exemplos são De la Rosa e Alonso), dentro da McLaren;
  • a informação disseminada dentro da McLaren inclui não somente altas informações técnicas, mas também informações secretas sobre a estratégia esportiva da Ferrari;
  • De la Rosa, no desempenho de suas funções na McLaren, pediu e recebeu informações secretas da Ferrari de uma fonte que ele sabe ser ilegítima e declarou que o propósito de seu pedido era fazer testes no simulador;
  • a informação secreta foi dividida com Alonso;
  • houve uma intenção clara de parte do grupo da McLaren em usar algumas das informações confidenciais da Ferrari em seu teste. Se isso não foi efetuado, só foi porque houve razões técnicas para que não acontecesse;
  • o papel de Coughlan na McLaren (agora compreendido pelo Conselho Mundial) o pôs numa posição em que seu conhecimento de informações secretas da Ferrari teriam o influenciado na performance de suas responsabilidades.”

Para o Conselho, os pilotos não devem ser responsabilizados pela troca de informações, atribuindo culpa a Coughlan por tê-las passado. Destaca-se, também, a conclusão de que “algum grau de vantagem foi obtido, embora seja impossível de se quantificá-la em termos concretos”. A punição, além do que foi anunciado, se estende à cerimônia de pódio: nas últimas quatro provas, qualquer membro da McLaren que não seja Alonso ou Hamilton não poderá freqüentá-lo. Alonso e De la Rosa só não foram punidos porque o presidente Max Mosley prometeu “premiá-los” por suas delações.  Fonte: Warm-Up

Conselho da FIA

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